
O colunista Paul Krugman, do New York Times, foi dos primeiros a diagnosticar a crise de forma correta: o problema dos bancos era de capital (solvência) e, não, de liquidez.
. Daí, a necessidade de estatizar os bancos, parcial e temporariamente.
. A qualidade das análises de Krugman foi o que lhe deu o prêmio Nobel:
O Prêmio Nobel é de Paul Krugman, por suas pesquisas sobre o comércio internacional. E também pelo extraordinário bom senso e coragem de se antecipar a todos nas críticas a Alan Greenspan.
A propósito, lembro-me, logo depois do Real, de ter escrito um artigo mostrando que, após uma decisão de abertura econômica, leva um tempo para os países aumentarem as importações. Depois de uma pausa, dependendo do nível da abertura, haveria uma enxurrada.
O então Ministro do Planejamento José Serra me telefonou perguntando se estava acompanhando as pesquisas de Krugman em Harvard. Elas já chamavam a atenção do mundo acadêmico. Disse-lhe que não tinha a menor idéia sobre elas. Então, como tinha escrito aquele artigo?
Fui dar uma palestra para a Arcon, atacadista de Uberlândia. O país inteiro esperando que as importações começassem, para segurar as pressões de preços. Perguntei para os donos da empresa a razão da demora.
- É simples -, me disseram. Precisamos descobrir quais produtos interessam aos consumidores, entrar em contato com os fornecedores, aprender a importar, conseguir linhas de financiamento. Daqui a alguns meses, viremos com tudo.
Não havia nada de excepcional na minha análise. Apenas o fato de ter conversado com quem estava na linha de frente.
O problema dos cabeções brasileiros é que só passam a entender os fenômenos, mesmo os mais banais da economia, depois que algum estrangeiro transforma em paper ou em tese acadêmica. Em geral, não têm a menor idéia sobre os processos psicológicos por trás de um reajuste de preço, de uma decisão de investimento. Ou mesmo os efeitos dos mecanismos financeiros nos indicadores macro-econômicos.
É o caso agora, das implicações da crise sobre o Brasil. Consulte as fontes em permanente disponibilidade sobre os desdobramentos da crise. O Shwartsman irá falar sobre o influência da Selic na inflação com o novo câmbio; o Raul Velloso vai defender o controle de gastos; o Pastore irá refazer aquela sua identidade contábil, que dizia que déficit em transações correntes é sempre igual a aumento do investimento; o Maílson continuará repetindo que a Constituição de 1988 tornou o país ingovernável. E o BC dirá que para cada aumento de 0,25 ponto na Selic, haverá uma redução xis na inflação anual, com duas casas de precisão.

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